30.11.12

Fotos - Cláudia Canedo








 
Cláudia Canedo é jornalista e atriz, as fotografias acima foram tiradas no Núcleo de Fotografia da UFRGS, para a exposição Fotografia de Espetáculos. No decorrer do trabalho, Cláudinha apresentou o monólogo " Os Sobreviventes" de Caio Fernando Abreu, no qual transcrevo abaixo.


OS SOBREVIVENTES - Caio Fernando Abreu

SRI LANKA, quem sabe? Ela me diz, morena e ferina, e eu respondo por que não? mas inabalável continua: você pode pelo menos mandar cartões-postais de lá, para que as pessoas pensem nossa, como é que ele foi parar em Sri Lanka, que cara louco esse, hein, e morram de saudade, não é isso que te importa? uma certa saudade: em Sri Lanka, brincando de Rimbaud, que nem foi tão longe, para que todos lamentem ai como ele era bonzinho e nós não lhe demos a dose suficiente de atenção para que ficasse aqui entre nós, palmeiras e abacaxis. Sem parar, abana-se com a capa do disco de Ângela enquanto fuma sem parar e bebe sem parar sua vodka nacional sem gelo nem limão. Quanto a mim, a voz rouca, fico por aqui comparecendo a atos públicos, entre uma e outra carreira, pixando muros contra usinas nucleares, em plena ressaca, um dia de monja, um dia de puta, um dia de Joplin, um dia de Tereza de Calcutá, um dia de merda enquanto seguro aquele maldito emprego de oito horas diárias para poder pagar essa poltrona de couro autêntico onde neste exato momento vossa reverendíssima assenta sua preciosa bunda e essa exótica mesinha de centro em junco indiano que apóia vossos fatigados pés descalços ao fim de mais uma semana de batalhas inúteis, fantasias escapistas, maus orgasmos e crediários atrasados. Mas tentamos tudo, eu digo, e ela diz que sim, claaaaaaaro, tentamos tudo, inclusive trepar, porque tantos livros emprestados, tantos filmes vistos juntos, tantos pontos de vista sócio político artístico filosófico existenciais e bababá em comum só podiam dar mesmo nisso: cama. Realmente tentamos, mas foi uma bosta. Que foi que aconteceu, eu pensava depois acendendo um cigarro no outro, e não queria lembrar mas não me saía da cabeça o teu pau murchos e os bicos do meus seios que nem sequer ficaram duros, pela primeira vez na vida, você disse, e eu acreditei, pela primeira vez na vida, eu disse, mas não sei se você acreditou. Quero dizer que sim, que acreditei, mas ela não pára, tanta tesão mental espiritual moral existencial e nenhuma física, e eu não queria aceitar que fosse isso: éramos diferentes, ai como éramos diferentes, éramos melhores, éramos mais, éramos superiores, éramos escolhidos, éramos vagamente sagrados, mas no final das contas os bicos dos meus peitos não endureceram e o teu pau não levantou, cultura demais mata o corpo da gente, cara, filmes demais, livros demais, palavras demais, só consegui te possuir me masturbando, tinha a biblioteca de Alexandria separando nossos corpos, enfiava fundo o dedo na buceta noite após noite pedindo mete fundo, coração, explode junto comigo, depois virava de bruços e chorava no travesseiro porque naquele tempo ainda tinha culpa nojo vergonha, mas agora tudo bem, o Relatório Hite liberou a punheta. Não que fosse amor de menos, você dizia depois, ao contrário, era amor demais, você acreditava mesmo nisso? Naquele bar infecto onde costumávamos afogar nossas impotências em baldes de lirismo juvenil, imbecil, e eu disse não, o que acontece é que como bons-intelectuais-pequeno-burgueses o teu negócio é homem e o meu é mulher, podíamos até formar um casal incrível, tipo aquela amante de Virginia Woolf, como era mesmo? Vita, Vita Sackville-West e o veado do marido, não se erice, queridinho, não tenho nada contra veados, me passa a vodka, o quê? e eu lá tenho grana pra comprar wyborowas? não tenho nada contra lésbicas, não tenho nada contra decadentes em geral, não tenho nada contra qualquer coisa que soe a: uma tentativa. Peço cigarro e ela me atira o maço na cara, com que joga um tijolo, ando angustiada demais, meu amigo, palavrinha antiga essa, angústia, duas décadas de convívio cotidiano, mas ando, ando, tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essas história de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha, ,veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista, só queria ser feliz, cara. Podia ter dado certo entre a gente, ou não, afinal você naquele tempo ainda não tinha se decidido a dar a bunda, nem eu a lamber buceta, ai que gracinha nossos livrinhos de Marx, depois Marcuse, depois Reich, depois Castañeda, depois Laing embaixo do braço, aqueles sonhos colonizados nas cabecinhas idiotas, bolsas na Sorbonne, chás com Simone e Jean-Paul nos 50, em Paris; 60 em Londres ouvindo here comes the sun here comes the sun, little darling; 70 em Nova Iorque dançando disco-music no Studio 54; 80 a gente aqui, mastigando essa coisa porca sem conseguir engolir nem cuspir fora em esquecer esse gosto azedo na boca. Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica psicanálise drogas acupuntura suicídio ioga dança natação Cooper astrologia patins marxismo candomblé boate gay ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora o que faço? Não é plágio do Pessoa, mas em cada canto do meu quarto tenho uma imagem de Buda, uma de mãe Oxum, outra de Jesuzinho, um pôster de Freud, às vezes acendo vela, faço reza, queimo incenso, tomo banho de arruda, jogo sal grosso nos cantos, não te peço solução nenhuma, você vai curtir os seus nativos de Sri Lanka depois me manda um cartão-postal contando qualquer coisa como ontem à noite, à beira do rio, deve haver um rio por lá, um rio lodoso, cheio de juncos sombrios, mas ontem na beira do rio, sem planejar nada, de repente, por acaso, encontrei um rapaz de tez azeitonada e olhos oblíquos que. Hein? claro que deve haver alguma espécie de dignidade nisso tudo, ,a questão é onde, ,não nesta cidade escura, não neste planeta podre e pobre, dentro de mim? Ora não me venhas com autoconhecimentos-redentores, já sei tudo de mim, tomei mais de cinqüenta ácidos fiz seis anos de análise, já pirei de clínica, lembra? você me levava maçãs argentinas e fotonovelas italianas, Rossana Galli, Franco Andrei, Michela Roc, Sandro Moretti, eu te olhada entupida de mandrix e babava soluçando perdi minha alegria, anoiteci, roubaram minha esperança, enquanto você, solidário e positivo, apertava meu ombro com sua mão apesar de tudo viril repetindo reage, companheira, reage, a causa precisa dessa tua cabecinha privilegiada, teu potencial criativo, tua lucidez libertária, bababá bababá. As pessoas se transformavam em cadáveres decompostos à minha frente, minha pele era triste e suja, as noites não terminavam nunca, ninguém me tocava, mas eu reagi, despirei, e cadê a causa, cadê a luta, cadê o potencial criativo? Mato, não mato, atordôo minha sede com sapatinhos do Ferro?s Bar ou encho a cara sozinha aos sábados esperando o telefone tocar, e nunca toca, ouvindo samba-canção e blues com caipira de vodka, neste apartamento que pago com o suor do potencial criativo da bunda que dou oito horas diárias pra aquela multinacional fodida. Mas eu quero dizer, e ela me corta mansa, claro que você não tem culpa, coração, caímos exatamente na mesma ratoeira, a única diferença é que você pensa que pode escapar, eu quero chafurdar na dor deste ferro enfiado fundo na minha garganta seca, me passa o cigarro, não estou desesperada, ,não mais do que sempre estive, não estou bêbada nem louca, estou é lúcida pra caralho e sei claramente que não tenho nenhuma saída, não se preocupe, depois que você sair tomo banho frio, lente quente com mel de eucalipto e gin-seng, depois deito, depois durmo, depois acordo e passo uma semana a ban-chá e arroz integral, absolutamente santa, absolutamente pura, absolutamente limpa, depois tomo outro porre, cheiro cinco gramas, bato o carro numa esquina ou ligo para o CVV às quatro da madrugada e alugo a cabeça dum panaca qualquer choramingando coisas do tipo preciso-tanto-de-uma-razão-para-viver-e-sei-que-esta-razão-só-está-dentro-de-mim-bababá-bababá, até o sol pintar atrás daqueles edifícios, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais destrutiva que insistir sem fé nenhuma? Passa devagar a tua mão na minha cabeça, no meu coração, eu tive tanto amor um dia, pára e pede, preciso tanto, tanto, tanto, bicho, não me permitiram, então estendo os dedos e ela fica subitamente pequenina apertada contra meu peito, perguntando se está mesmo muito feia e meio puta e muito velha e completamente bêbada, eu não tinha essas marcas em volta dos olhos, eu não tinha esses vincos em torno da boca, eu não tinha esse jeito de sapatão cansado, e eu repito que não, que está linda assim, desgrenhada e viva, ela pede que eu coloque uma música e escolho o Noturno número dois em mi bemol de Chopin, quero deixá-la assim, dormindo no escuro, sobre este sofá, ao lado das papoulas quase murchas, embalada pelo piano remoto como uma canção de ninar, mas ela se contrai violenta e peded que eu ponha Angela outra vez, então viro o disco, amor meu grande amor, caminhamos tontos até o banheiro onde sustento sua cabeça sobre a privada para que vomite, e sem querer vomito junto, ao mesmo tempo, os dois abraçados, bocas amargas, fragmentos azedos sobre as línguas, ela puxa a descarga e vai me empurrando para a porta, pedindo que me vá, e me expulsa para o corredor dizendo não esqueça então de mandar um cartão de Sri Lanka, aquele rio lodoso, aquela tez azeitonada, que aconteça alguma coisa bem bonita para você, te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em todos de novo, que leve para longe da minha boca esse gosto podre de fracasso, de derrota sem nobreza, não tem jeito, companheiro, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e a noite já vem chegando. A chave gira na porta. Preciso me apoiar contra a parede para não cair. Atrás da madeira, misturada ao piano e à voz rouca de Angela, nem que eu rastejasse até o Leblon, consigo ouvi-la repetindo que tudo vai bem, tudo continua bem, tudo muito bem, tudo bem. Axé, axé, axé! eu digo e insisto, até o elevador chegar. Axé, odara!

Exposição Silêncio

A exposição Silêncio, de Leopoldo Plentz está aberta para visitação na Galeria Bolsa de Arte. A mostra reúne doze fotografias que trazem diferentes paisagens da Argentina, Chile e do Brasil. A exposição pode ser conferida de segunda a sexta-feira, das 10h e 30min às 19h, e aos sábados das 10h às 13h30min, na rua visconde do Rio Branco,365 - Porto Alegre, até dia 21 de dezembro.

21.11.12

A Serpentina ou o meu amigo Nelson

Novas Caras apresenta: A serpentina ou o meu amigo Nelson

Teatro de Câmara Tulio Piva
Nesta Quarta-feira, às 20h, entrada franca.

Espetáculo livremente inspirado na última peça de Nelson Rodrigues, "A Serpente". Marcado pelo tom farsesco e colorido pelo universo do Carnaval.

Direção: Evelise Mendes
Dramaturgia: o grupo, livremente inspirada na obra "A Serpente", de Nelson RodriguesElenco: Alexandre Borin Antunes, Fabiana Santos, Gyan Celah, Létz Pinheiro, Marcelo Pinheiro, Tefa Polidoro
Figurinos e Acessórios Cênicos: Alexandre Borin Antunes, Létz Pinheiro, Tefa Polidoro
Criação Musical: Pâmela Amaro
Iluminação: Fabiana Santos
Produção: Evelise Mendes


 

Fotos: Denise Fraga
 

20.11.12

Fotos Inácio

O Inácio é um garoto que curte fotografar, gosta de fazer caras e bocas. Ele é bem meticuloso e com muita opinião. Quando não agrada já vai logo dizendo: essa aí deleta! Bem resolvido o garotinho!!. Ele é criativo no olhar e muito expressivo também. Adora inventar maneiras diferentes para sair bem na foto. Se tivesse espaço aqui no blog, teria 40 fotos dele, cada uma de um jeito. Mas combinamos somente algumas. Ficou um pouco contrariado, mas concordou.




 






 

 
 

12.11.12

Livro de Fotografia -"Expedição Natureza - Tocantins"

O Fotógrafo Zé Paiva lança o livro de fotografias "Expedição Natureza - Tocantins", hoje na Fnac do Barra Shopping sul, às 20h. O livro é composto por 156 fotografias. Nesta obra, Zé Paiva traz imagens de conservação do Tocantins, como o Parque Nacional do Araguaia e a Estação Ecolólogica da Serra Geral.
Depois de 62 dias descobrindo o Tocantins com sua câmera fotográfica, Zé Paiva registrou maravilhas até então desconhecidas pela maioria dos brasileiros. Foram mais de 10 mil imagens, para que apenas 156 fizessem parte do livro e 47 compusessem exposição.
O evento terá uma exposição de imagens do livro e um pate-papo entre o fotógrafo e o público.

9.11.12

Fotos Centro Histórico - parte 2

Olá Pessoal! Continuando com a série de fotografias do "Centro Histórico de Porto Alegre", agora com a segunda parte. As próximas fotos são legais e foi bem interessante sair para fotografar, além de poder curtir a cidade e pesquisar sua história, tem  todo uma preparação, que só quem curte fotografia  sabe como é instigante e revelador.  A baixo, mais  algumas fotos do Centro Histórico e um breve resuminho da história do local pra quem não lembra.


Igreja Nossa Senhora das Dores.  
Em 1752, Portugueses estabeleceram-se à beira do Guaíba e formaram o primeiro núcleo da futura cidade de Porto Alegre, próximo de onde, construiriam a Igreja Nossa Senhora das Dores.   A construção seguiu até 1903 quando a igreja foi, finalmente, inaugurada, apresentando corpo em estilo colonial português com fachada eclética. Em 1938, a pedido da comunidade,a igreja foi tombada por seu valor artístico e arquitetônico, na categoria de Sítio Histórico Urbano Nacional.



 
 
 
 
Monumento aos Açorianos
Homenagem à chegada dos primeiros sessenta casais açorianos que povoaram a cidade. O monumento, em linhas futuristas, está localizado próximo ao Centro Administrativo. Construído em 1973, feito em aço, é uma obra do escultor, Carlos Tenius e lembra uma caravela, composta de corpos humanos entrelaçados, e tendo à frente uma figura que lembra o mitológico Ícaro que representa a vitória.
No monumento existe o seguinte escrito: "Jamais sonhariam aqueles casais açorianos, que da semente que lançavam ao solo nasceria o esplendor desta cidade".


 


A Escola Técnica Ernesto Dornelles
Foi fundada em 1946, tendo como sede o imponente casarão da Rua Duque de Caxias, com suas majestosas colunas, construído em 1914.

Ele foi projetado pelo engenheiro arquiteto Affonso Herbert, e concluído em 1917. É um prédio monumental, as colunas que estão na entrada têm 13 metros de altura e o pé-direito dos pisos é de 6,60m. É um prédio valioso para o acervo cultural da cidade e merece ser  preservado por toda a comunidade. 
 
 

 
 
 
O Centro Administrativo do Estado do Rio Grande do Sul
É um prédio em forma de pirâmide localizado no bairro Praia de Belas em Porto Alegre. No edifício funcionam diversas Secretarias e outros órgãos da administração pública estadual. Seu nome é uma homenagem ao economista e político Fernando Ferrari.Teve sua construção iniciada em 1976, e a inauguração ocorreu em agostode 1987. 
 
 
 
 
O Solar dos Câmara
Construído entre 1818 e 1824 para  José Feliciano Fernandes Pinheiro, no estilo dos casarões coloniais portugueses, para servir-lhe de residência.
Em 1824, José Feliciano, então inspetor da Alfandega do RGS, foi nomeado pelo imperador Dom Pedro I o primeiro presidente da província. José Feliciano é também considerado o primeiro historiador do Rio Grande do Sul, por sua obra Anais da Província de São Pedro. Morreu em 1847, tendo residido no solar durante vinte e nove anos.
O Solar dos Câmara é um prédio histórico e um centro cultural da cidade  de Porto Alegre. Sendo mantido pela Assembleia Legislativa. O solar  é considerado o mais antigo prédio residencial da cidade e localiza-se à rua Duque de Caxias, n° 968, no Centro Histórico de Porto Alegre.
 
 

 


 

4.11.12

Camisa Brasileira

Camisa Brasileira é um livro que reúne 110 fotografias do jornalista e fotógrafo Gilberto Perin. Ele se inspirou em coberturas fotográficas  da década de 1950 e 1960 para revelar a intimidade dos jogadores de futebol. Foram quatro meses de invisibilidade nos vestiários do time do Brasil de Pelotas, em 2010. Todas as quartas-feiras e domingos o fotógrafo cobriu e registrou momentos íntimos dos jogadores dentro do vestiário, aqueles que só são presenciados por quem vive os bastidores do futebol.
Os cliques de Gilberto já foram expostos em diversos locais, incluindo o Museo do Futebol, em São Paulo, também com previsão de viagens para o exterior.

3.11.12

Exposição "Trupe"

A mostra fotográfica "Trupe" é composta por imagens do livro homônimo. A exposição reúne fotografias que exploram a luz e a sombra. O projeto foi desenvolvido pelo Núcleo de Fotografia da UFRGS, que tem coordenação de Mário Bitt-Monteiro. A mostra pode ser visitada de 6 a 9 de novembro, das 14h às 18h, no Atelier Subterrâneo, que fica na Av. Independência,745, subsolo, em Porto Alegre.

Fotos gestante Cláudia

Gestante Cláudia Local : Jardim Botânico